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segunda-feira, 18 de maio de 2015

se eu parar, ela morre












advertido por suas brincadeiras, peraltices,
o adulto, entre sorridente e reflexivo, justifica:
faço o que faço para não deixar morrer
a criança que está dentro de mim.
se eu parar, ela morre.



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

viagens



enquanto aguardo atendimento em uma clínica espiritual, (re)leio Pequenas Criaturas de Rubem Fonseca. mergulho na leitura dos deliciosos contos.... em uma passagem:

"... eu era muito burro. dizem que existe uma diferença entre o sujeito burro e o ignorante, que o ignorante pode aprender e mudar, e o burro não consegue."

na hora, estabeleço conexão com o aniversariante de ontem.
esqueço o livro em minhas mãos e viajo noutra leitura.
lembro que, em nossas reflexões, conversas com café, admirada eu o elogiava por algum feito e ele, sorrindo, todo satisfeito, se saia com essa: filha, eu posso até ser ignorante, ter pouca leitura, mas num sou burro não!
riamos juntos (meu pai e eu).



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

casa


casa
é
templo
pouso
sossego.

casa
é
desassossego
intervenção
quebra de paradigma.

vai depender da história
do olhar.




domingo, 14 de setembro de 2014

sinos de floripa, tocai por nós!

por jaqueline nobre

santuário da imaculada conceição ou igrejinha da lagoa - construção de 1750

 


 


"penei pra tirar essas fotos. olha a altura!
mas eram para uma surpresa especial.
igrejinha da lagoa, mais de 200 anos.... uma moça!
fica no alto da montanha.
o tempo tava nublado...
a igrejinha tava fechada...

elas, realmente, foram tiradas para você."

floripa-sc, setembro.2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

entre pousos e voos

por Tony Freitass


o tempo voa
submerso
nas tarefas do cotidiano
e você nem percebe que
os degraus
vão sendo alcançados
como consequência de sua
perseverança,
foco e
dedicação.

que cada degrau
possa agregar
em sabedoria e
maturidade,
sempre!







Natal-RN, 31 de agosto de 2014.

domingo, 17 de agosto de 2014

Último encontro


Ele costuma reunir amigos em sua casa para celebrar a vida.
Sempre envolto pela família.
Hoje, não poderia ser diferente.
Igreja cheia de pessoas queridas.
Quando o sino badala 23horas,
os convidados são levados a uma cafeteria.
Comemoram, conversam, sorriem.

Os familiares cuidam de deixar a igreja fechada.
Somente ele fica lá.
Guardado.
Protegido por todos os santos.

Logo cedo, retornam.
Assistem o ritual de passagem,
do encerramento de um ciclo.
Acontece o funeral.
E ele, de corpo presente,
no último encontro.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Esse lugar existe
















Moramos num pedaço do mundo em que os vizinhos cuidam uns dos outros.
Se as luzes da casa estão acesas ou apagadas a uma certa hora da noite,
Se o carro está do lado de fora da garagem,
Se o portão da garagem está aberto ou fechado,
Se a cortina da casa está fechada ou aberta.
Cada situação sinaliza algo particular de cada morador.

Quando algo sai da rotina, do que é o costume, o alarme dispara.

Numa dessas, uma das casas que costuma estar de luzes acesas até altas horas da noite, foi observada que as luzes estavam apagadas. O telefone também não atendia.
Sinais mais do que suficientes para o alarme disparar.

Em pouco tempo o sistema humanizado de busca acionou os contatos.
Para alegria de todos, logo obtivemos o retorno:
- Fomos deixar duas amigas no aeroporto. Na volta, passamos em um barzinho para lanchar.

Esse lugar existe.

domingo, 13 de julho de 2014

Fé


                                Ter fé é acreditar naquilo que você não vê;
a recompensa por essa fé é você ver aquilo em que você acredita.
                                (Santo Agostinho) 

sábado, 10 de maio de 2014

Graças a Deus!

















Dia de sol.
Pela manhã
ainda bem cedo
o telefone toca.
Do outro lado
uma voz cheia de vida
comunica que a consulta marcada para o mês de maio
será transferida para junho.
- Hoje é sexta-feira santa. Vocês estão trabalhando!?
- Sim, graças a Deus!

(diálogo com o Hospital Sarah Kubitscheck)

sábado, 3 de maio de 2014

Atendimento humanizado





Ainda não eram 7horas da manhã. 
Seu trabalho de atendimento ao público começara há poucos minutos. Ela mais parecia um robô, todo arrumadinho, programado para dizer sim, não, sinto muito, é logo ali. 
O sol batia na janela, as pessoas felizes por, enfim, ter chegado o dia da consulta, de ser atendido naquele hospital de referência nacional e ela, ali, impávido colosso.

Não satisfeita de apenas observar, ensaiei uma necessidade e me dirigi ao balcão, à porta de entrada oficial. Fui pega de surpresa pois, em um lance, logo me respondeu é logo ali. Sempre fechada, sem um sorriso, sem deixar transparecer um único raio de sol. O mesmo que irradiava os cadeirantes e não-cadeirantes, não chegava até ela. Certamente, naquele dia, esquecera a chave da porta, da janela, por onde o sol entra. Em todos os demais setores, ele estava lá. Nas portas, janelas, nas pessoas. Antes das 7h30 da manhã fui atendida, exames marcados e agendado o próximo retorno. Saí de lá com o desejo de que o robô se desprogramasse para deixar o sol entrar. Senti a falta de um atendimento humanizado.

sábado, 26 de abril de 2014

Médicos de almas


Era o desejo
de estar perto
de conhecê-los melhor.
Veio o tempo
eles chegaram
crianças, bichos, plantas
homens, mulheres
A Natureza.
Era o desejo
de estar
perto deles
Médicos de almas.

sábado, 12 de abril de 2014

Paciência





Fagulha
que queima
acalma e
acolhe a
Impaciência.
                                     

domingo, 6 de abril de 2014

Janelas no olhar

Brasília-DF, 01 de abril de 2014.





 Para muitos uma janela é apenas uma janela. Para outros, é símbolo de superação, de seguir em frente, de estar diante do sol, do astro que ilumina. Com determinação, foco e fé, ela visualiza janelas abertas, corre atrás do objetivo; com estudo e trabalho, disputa seu lugar para estar diante dele, seu guia. Tem sido assim ao longo de sua vida, de seus dias.

Quando pensam que o jogo está definido, ganho, nem imaginam que ela está atenta à janela, ao sol que entra, a luz que a ilumina. E quando a janela começa a se fechar, não pensa duas vezes .... levanta vôo, bem antes que se feche completamente. Janela aberta, símbolo de força, renovação. É preciso ter coragem para abrir mão do conformismo de permanecer diante de uma janela entreaberta. Algo a impulsiona, a encoraja. Tão jovem e dona de tanta coragem.  

É ave, rio, janelas, girassol. Tem a garra da águia, a força das águas do rio, sabe a hora de fechar e abrir janelas; tem a sabedoria do girassol de, mesmo nos dias sombrios, buscar a luz. Vive o instante de celebrar, de rir, saborear os frutos da merecida colheita.

Que tenha sempre esse olhar atento, seja exemplo de que é possível encontrar e ser janelas para outras pessoas. Muito querida Paulinha, quanto orgulho! Você tem janelas no olhar.


sábado, 5 de abril de 2014

Remédios, quem vai querer remédios?


O vendedor, de porta em porta
Grita bem alto para toda a rua ouvir:
Remédios, quem vai querer remédios?

Tem remédio pra pressão?
Sim. Tem esse aqui.
Como devo tomar?
A senhora toma 1 comprimido pela manhã e outro à tarde.
Logo logo a senhora sente a diferença.

Remédios, quem vai querer remédios?
Tem pra dor de cabeça?
Tem pra diabetes?
E pra tontura, tem?


Remédios, quem vai querer remédios?
Tem pra pressão, dor de cabeça, colesterol alto, diabetes
Quem vai querer remédios?

Toda semana o vendedor passa no bairro vendendo remédios.
Mantém a saúde do povo do mesmo jeito. 

Remédios, quem vai querer remédios?

sábado, 29 de março de 2014